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Espaço de Empoderamento de Mulheres Catadoras na Expocatadores 2016

 

No primeiro e segundo dia de programação da Expocatadores, 28 e 29 de novembro, havia um espaço destinado às rodas de conversas com tema “Empoderando as mulheres catadoras”, compondo um debate contínuo sobre gênero.  Mediado por Sonia Dias, socióloga e membro da Rede WIEGO (Mulheres em Empregos Informais: Globalizando e Organizando - Rede global focada em garantir a subsistência de pobres, principalmente mulheres, na economia informal), o objetivo era socializar depoimentos e levar formação para as catadoras.

Com o “Espaço vidro”, lotado às 14h30 de segunda-feira, dia 28, muitas  mulheres, a maioria catadoras, aguardavam a Roda de Conversa “O protagonismo e empoderamento das mulheres catadoras, lutas e desafios. Socializando os aprendizados coletivos na temática de gênero.”, a ser apresentado naquela sala. Com bem poucos homens presentes, o espaço estava ocupado pelas lideranças femininas da categoria.

Como convidadas estavam as catadoras Madalena Duarte, do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) de Minas Gerais, a catadora Marilza Lima, do Paraná, Marineide Alves, de Osasco (SP), Jeane dos Santos, Salvador (BA) e Claudete Costa, do Rio de Janeiro (RJ), todas participantes do MNCR que também foram convidadas a dar depoimentos de vivências sobre gênero nas suas cidades e cooperativas.

O espaço foi gerido pelas próprias catadoras, que assumiram as apresentações enquanto a mediadora atuava apenas como facilitadora. A catadora Madalena Duarte apresentou dificuldades que as catadoras enfrentam como: menor acesso aos materiais de mais valor; riscos de saúde; intimidação, violência e assédio de colegas catadores, intermediários e autoridades; falta de oportunidade para ocupar lugares de liderança; falta de valorização perante os homens; e a dupla jornada – como catadoras, donas de casa e chefes de família, que impede maior participação nas cooperativas onde trabalham.

A roda de diálogos seguiu com depoimentos da Marilza Lima que citou o I Encontro Nacional de Mulheres Catadoras em 2008 que surgiu da necessidade das mulheres do MNCR “mostrar sua voz”. Em seguida a paulista, Marineide Alves, falou sobre o exemplo na sua cooperativa que criou uma Secretaria de Mulheres Catadoras para garantir suas pautas, e Matilde Ramos, de Ourinho (SP), completou falando sobre a importância de cada mulher também reconhecer seu machismo e preconceitos “a igualdade tem que nascer da gente, quebrando todo os limites de preconceitos possíveis”, disse.

Jeane dos Santos tem a própria vida como testemunha de empoderamento, “nasci negra, pobre, mulher, num bairro de periferia, e sou catadora. Aos 14 anos tive meu primeiro filho no lixão, hoje sou liderança da minha cooperativa, estudei e sou uma mulher empoderada”, contou. Claudete Costa tem 27 anos de catadora e também já foi camelô e pedinte, hoje organiza e luta por seus direitos de categoria e gênero.

Em entrevista, a socióloga e mediadora Sonia Dias conta que, através da WEIGO, realizou em Belo Horizonte oficinas de gênero a pedido das catadoras, e relata que “apareceram inúmeras temáticas e nós fomos mapeando isso nas oficinas em quatro regiões de Belo Horizonte com mulheres e o produto dessas oficinas foi sistematizado pela nossa equipe e a resultou em dois “toolkits” [kits virtuais disponibilizados no website]: um acadêmico que a gente chama do técnico social, onde tem toda uma discussão teórica sobre gênero, todas as técnicas que nós utilizamos, as dificuldades e facilidades”, e um toolkit para o catador “é uma linguagem de educação popular, foi produzido com as catadoras.”, e mostra o produto que está disponibilizado no site.

Ela afirma que o objetivo principal da roda de conversas é dar espaço para as próprias catadoras falarem de gênero a partir de sua vivência, a partir da perspectiva de que “ninguém empodera ninguém, as pessoas se empoderam no processo. A gente pode ajudar com as ferramentas necessárias para que elas possam fazer a sua própria leitura da realidade. Eu não sou catadora, então o papel da gente, e que muitos técnicos se colocam, é de ser apoio, contribuir no processo, a gente não vai mudar, a gente soma ao processo”, completa.

Texto: Flávia Cortez.