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Artigo: Novo comportamento sem sacolas plásticas

Que o consumidor leve às compras suas bolsas de pano, juta, couro, papelão resistente.

Por Carlos Minc

A Lei das Sacolas Plásticas traz ganhos ambientais, sociais e climáticos de retirarmos  do meio ambiente bilhões de sacolas plásticas descartáveis e feitas a partir de petróleo. Há prevenção de inundações, ampliadas pelos diques formados por plásticos, que afetam milhares de moradores de beiras  de rios e canais. Há também redução de emissões de CO², pois a cana, o milho e outros vegetais são neutros em carbono, ao contrário do material fóssil. Grande impacto haverá na biodiversidade marinha: alívio a milhares de tartarugas, golfinhos, baleias e pássaros asfixiados com plásticos. Projeto de lei federal tratará das embalagens plásticas de produtos como arroz e  feijão, que são produzidas em diferentes estados.


Obteremos ampliação da coleta seletiva, combinando as sacolas verdes com os PEVs —   pontos de entrega voluntária em supermercados  —  e com material reciclável destinado às cooperativas de catadores, além da Lei da Economia Circular, que entra em vigor em dezembro. A coleta seletiva no município do Rio de Janeiro é de apenas 3% do lixo coletado, e na Baixada Fluminense é ainda pior: só 1%! Índices muito abaixo da Lei Nacional de Resíduos e inadmissíveis.


O objetivo da lei não é substituir uma sacola por outra, mas mudar comportamentos. Quem vai à academia, à praia, à feira leva bolsa. Que o consumidor leve às compras suas sacolas, bolsas de pano, juta, couro, papelão resistente.  Milhares de pessoas já compraram bolsas boas, baratas, que duram o ano inteiro. Só no primeiro mês, no Estado do Rio de Janeiro, segundo a ASSERJ —  associação de supermercados —  houve uma redução de 200 milhões de sacolas! A nova lei 8.473, sancionada em julho, determina metas anuais de redução, sendo de 40% no primeiro ano. Há vedação de cobrar além do preço de custo constante na nota fiscal: de 5 a 8 centavos, e um período de transição de seis  meses, mecanismos inexistentes na lei similar do município de São Paulo.  Já fizemos leis retirando impostos de equipamentos solares e eólicos, mas não há sentido em subsidiar a poluição, a inundação, o aquecimento global. Melhor é não pagar, trazendo a bolsa.

A seguir será lançada campanha para reduzir a geração de lixo doméstico. Desprezamos partes de alimentos,  como caules, folhas, sementes, que têm valor nutricional e podem ser aproveitadas em alimentos saborosos e nutritivos. Cartilha com receitas será lançada. Com mais coleta seletiva e menos lixo orgânico,  as prefeituras gastarão menos com a coleta diária e a vida útil dos aterros sanitários será prolongada.


Fazer a nossa parte é mudar de comportamento. Catadores, golfinhos e o planeta agradecem.


Carlos Minc é deputado estadual PSB- RJ  


Fonte: O Globo

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