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MNCR e mais 16 autores lançam livro sobre saneamento ambiental e saúde do catador

Dividido em 9 capítulos, o livro aborda diversos temas voltados à sustentabilidade, como gestão de resíduos, cooperativismo, prevenção e assistência à saúde do catador e valorização da categoria, além de apresentar a ferramenta Sigor-Reciclagem, que pode ser utilizada para acompanhamento da gestão e do fluxo dos resíduos sólidos no Estado de São Paulo.

Catadores falam no auditório da Cetesb durante lançamento de livro voltado à categoria (fotos Samuel Ferreira)

No dia 9 de novembro, catadores ligados ao Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) participaram do lançamento do livro intitulado ‘Saneamento Ambiental e Saúde do Catador de Material Reciclável’, em evento que lotou o auditório da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB), em Pinheiros.


Lançado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental – ABES (seção de São Paulo), a obra foi escrita por 17 autores, entre os quais o MNCR, que escreveu um capítulo de 7 páginas sob o título ‘Não há Saúde sem Valorização e Pagamento Justo’.

Dividido em 9 capítulos, o livro aborda diversos temas voltados à sustentabilidade, como gestão de resíduos, cooperativismo, prevenção e assistência à saúde do catador e valorização da categoria, além de apresentar a ferramenta Sigor-Reciclagem, que pode ser utilizada para acompanhamento da gestão e do fluxo dos resíduos sólidos no Estado de São Paulo.


Em sua fala na abertura do evento, o diretor de Engenharia e Qualidade Ambiental da Cetesb, Eduardo Luís Serpa, afirmou que a questão dos resíduos sólidos é uma das partes mais significativas na agenda ambiental brasileira.


“A Cetesb reconhece a atuação dos catadores de materiais recicláveis como fundamental para assegurar a reciclagem de resíduos aqui em São Paulo e no Brasil. Uma das principais inovações trazidas na Política Nacional de Resíduos Sólidos foi justamente o reconhecimento do catador de materiais recicláveis”, disse.

Por sua vez, Márcio Gonçalves de Oliveira, presidente da ABES-SP, enalteceu o trabalho dos autores, pelo tempo de dedicação à elaboração do livro e frisou que isso significa mais uma página positiva para se caminhar na importante questão dos resíduos sólidos.


“A questão maior do mundo hoje é a gente não ter tempo para as coisas. Quem dedicou tempo, tem um carinho, teve um amor especial para colocar aqui o seu conhecimento, e quando a gente divide conhecimento no mundo, no Brasil, estamos realmente construindo um mundo melhor”, disse.


“Pela ABES a gente procura que as empresas, pessoas, instituições e universidades se encontrem para construir um projeto melhor. Esse é um ambiente para que todos possam ajudar a construir uma questão melhor no saneamento básico”, concluiu.

Capítulo de 7 páginas escrito pelo MNCR aborda a valorização e o pagamento justo aos catadores, entre outros temas.


Toda etapa de elaboração do livro teve a coordenação de Roseane Maria Garcia Lopes de Souza, diretora e coordenadora das Câmaras Técnicas de Resíduos Sólidos e de Saúde Pública da ABES em São Paulo, com apoio da Secretaria de Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Segundo ela, a ideia do livro nasceu após ser questionada por um catador sobre soluções para a questão dos riscos à saúde do catador, tema abordado por ela numa palestra.


“Fui na Expocatadores fazer uma palestra sobre riscos à saúde. Ao final, nos debates, um catador disse ‘Ok, doutora, a senhora falou tudo isso e qual é a solução’? Levei o assunto para a ABES, que achou relevante e, enfim, resultou nessa publicação”, afirmou, lembrando que é preciso juntas as cooperativas, os catadores, as ONGs e a sociedade, para que os problemas do setor em questão sejam solucionados.


Presente ao evento, o coordenador do MNCR, Roberto Laureano da Rocha, destacou o importante papel da ABES no apoio ao processo de organização dos catadores, contribuindo nos debates que resultaram na Política Nacional de Saneamento Ambiental e na Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre outros.


Rocha lembrou que, para uma eficiente prevenção à saúde e segurança dos catadores é necessária uma valorização maior do trabalho das cooperativas e demais organizações de catadores, especificamente na prestação do serviço de Coleta Seletiva, com pagamento justo pelo poder público.


“A questão da saúde dos catadores está muito ligada ao apoio das prefeituras, do Estado e do Governo Federal, na manutenção das políticas públicas, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos e a Política Nacional de Saneamento Ambiental, que garantem uma prestação de serviços dos catadores no programa de coleta seletiva. Havendo essa prestação de serviços, com certeza, a garantia de manutenção da qualidade de saúde dos catadores ficará bem melhor”, afirmou, ressaltando que, tanto o livro quanto as políticas públicas contribuem para esses impactos.

“Nós queremos realizar a coleta seletiva, porque existem estudos claros de que a coleta seletiva feita pelas mãos dos catadores fica com uma qualidade maior. Em municípios onde a coleta porta a porta é feita pelos catadores existe um processo de educação ambiental desse trabalho, a conversa com os moradores. Uma coisa é cumprir um roteiro logístico da coleta seletiva, outra coisa é fazer a coleta seletiva com uma conscientização ambiental”, disse ainda, salientando que todos devem fazer uma economia solidária e circular, com a participação dos catadores de materiais recicláveis.


A catadora e educadora ambiental Luzia Maria Honorato (Coopercose), que atua na questão da saúde do catador com trabalho de conscientização, disse que a obra ajudará no processo de divulgação e prevenção sobre o tema. “Eu acredito que nós estamos a cada momento aprendendo muito. E essa riqueza que vocês nos trazem agora, com esse guia é mais um aprendizado”, disse.


De pensamento semelhante, a catadora Guiomar Conceição dos Santos (Cooperativa Sempre Verde), se mostrou satisfeita com mais uma publicação voltada à sua categoria. “Eu quero agradecer e falar também que, para esse livro que está sendo lançado, eu participei de várias reuniões na Faculdade de Medicina da USP. É um orgulho estar aqui para ver o lançamento dele”, afirmou.


Um dos representantes do MNCR em São Paulo, o catador Eduardo Ferreira de Paula (Coopamare) disse que em tempos distantes os catadores não tinham contato direto com a sociedade e o poder público, mas hoje são respeitados enquanto trabalhadores de uma categoria e agentes ambientais.

“Nós não somos coitadinhos, nós somos catadores de materiais recicláveis profissionais. Antes se falava ‘catadores de lixo’ e quem mudou isso fomos nós catadores. As reportagens chegavam lá na Coopamare e nós falávamos ‘catadores de lixo não, nós catamos materiais recicláveis’. Para o poder público é a mesma coisa, ajudamos a reduzir vários lixões, aterros sanitários, tudo aquilo que incomodava a sociedade nós começamos a catar”, lembra ele.


“Sou da época em que eu catava o jornal sem ter contato com a sociedade e hoje nós temos o contato com a sociedade, nós somos vistos pela sociedade, falamos em todos os lugares do Brasil, na América Latina, levando nossa bandeira enquanto catadores de uma categoria e dentro de uma economia solidária”, disse ainda.


O evento contou ainda com a presença de Ricardo Gomes, superintendente estadual da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA), que destacou a importância do evento. “Em relação ao saneamento básico e resíduos sólidos nós temos programas para os catadores, como caminhão, esteira, galpão e prensa. Vim aqui prestigiar o evento, muito importante. Quero ressaltar que cancelei outra agenda, não tão importante quanto essa, mas fiz questão de estar aqui nesse momento tão importante para vocês”, afirmou.


Impresso pela Editora Limiar, custeado pela ABES e distribuído gratuitamente, o livro tem 143 páginas e uma tiragem de 500 exemplares, sendo que a versão digital pode ser baixada no site da ABES-SP ou através do link abaixo:

http://catasampa.org/wp-content/uploads/2018/11/livro_saneamento-e-saude-catador-material-reciclavel_versao_final_bx.pdf


Por Samuel Ferreira

Fonte: http://catasampa.org



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