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Projeto ‘Coleta Seletiva Solidária’ ensina a fazer lixeiras sustentáveis e autoexplicativas

Com o pensamento em melhorar a reciclagem do lixo urbano da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a equipe do Programa de Desenvolvimento do Campus Fiocruz Mata Atlântica (PDCFMA) criou uma alternativa bem curiosa.

As lixeiras “sustentáveis” e “autoexplicativas desenvolvidas na Fiocruz (Foto: Fiocruz Mata Atlântica)


Por meio do projeto Coleta Seletiva Solidária, foram desenvolvidas quatro tipos de lixeiras “sustentáveis” e “autoexplicativas”. A diferença básica delas está na estrutura, que é feita a partir de bambu (recurso renovável), pneu (reuso de material descartado) e recicláveis como exemplos de possíveis resíduos sólidos (autoexplicação), que deverão ser destinados a essas lixeiras.

O projeto começou a ser desenvolvido no início deste ano. As lixeiras foram instaladas em um ponto da Avenida Sampaio Corrêa, em junho, e a aceitação dos moradores é considerada boa. O lixo é separado corretamente por metal, vidro, plástico e papel. Esse material é recolhido de acordo com a demanda. É feita uma avaliação e separação do lixo, que é pesado e catalogado. O que for próprio para reciclagem é encaminhado para os recicladores. O responsável principal pelo projeto foi o biólogo do PDCFMA, João Souza de Oliveira, que explicou que todo material usado na confecção também é reciclado.


“O uso dos materiais para a construção das lixeiras contribui para a redução de resíduos sólidos descartados indevidamente na região. Assim como os demais objetos que serão alvo de recolhimento. Consequentemente, isso reduz os focos de proliferação de vetores de algumas doenças”, esclareceu João, que vem preparando alguns moradores para ficarem com a responsabilidade de recolher o material.


A equipe do PDCFMA ainda projeta oficinas para os moradores, com o objetivo de multiplicar a produção de novas lixeiras. Essas serão instaladas em outros pontos do território.


Confira abaixo um “passo a passo” para a construção das lixeiras “sustentáveis” e “autoexplicativas”.


A – Escolha dos equipamentos e materiais a serem utilizados:


A1 – Equipamentos a serem utilizados: – uma máquina de furar; – um conjunto de serra copo de vários diâmetros; – uma serra “tico-tico”; – um estilete; – um maçarico a gás; – um pincel de 10 cm de largura.


A2 – Materiais a serem utilizados: – Identificar junto às borracharias qual o tipo de pneu usado de automóvel mais encontrado no mercado.  Sugestão o 195/65/R15; – Escolher três usados que não estejam com o aço exposto, nem rasgado e com a lateral bem larga.  Em nossa sugestão, largura correspondente ao valor 65. Será o corpo da lixeira; – Separar 1(um) bambu com diâmetro aproximado de 8 cm e 2,20 m de comprimento e 2(dois) com diâmetro aproximado de 8 cm e 1,0 m de comprimento. Serão o pé maior e os dois pés menores da lixeira respectivamente; – Separar 6 (seis) bambus com diâmetro aproximado de 3 cm e 15 cm de comprimento. Serão as travas de fixação dos pneus aos pés da lixeira; – Separar 2 (dois) bambus com diâmetro aproximado de 4 cm e 70 cm de comprimento,  dois de 2 cm de diâmetro , com 60 cm de comprimento e 6 pedaços de 1 cm de diâmetro e 10 cm de comprimento. Quatro serão usados na construção da “bandeira” de identificação da classe de materiais recicláveis e 2 serão usados na fixação da bandeira na parte superior do pé maior da lixeira; – um rolo de fio de nylon de 0,6 mm para a construção da “bandeira” de identificação da classe de materiais recicláveis; – alguns exemplares diversos de recicláveis que serão fixados por meio dos fios de nylon na “bandeira” de identificação da classe de materiais recicláveis; – 3 garrafas pets para a proteção dos pés da lixeira; – 2 placas de compensado de 60 a 70 cm de diâmetro; – 2 parafusos para fixação da tampa, 3 para a montagem da tampa e 3 para a fixação do fundo; – um rolo de fita adesiva na cor da classe a que pertence o reciclável.


B – A construção da lixeira


B1 – Tratamento do bambu: – proceder a “queima” do bambu com uso de um maçarico a gás; – passar óleo de cozinha no bambu com o uso de um pincel.


B2 – Preparo do galpão para corte dos pneus e demais materiais: – intercalar a bancada de trabalho onde serão cortados os pneus e compensado entre um ventilador e um exaustor e este direcionado para uma janela em caso de local fechado. Obs.: O operador devera fazer uso de EPIs, como óculos, máscara, luvas e avental.


B3 – Perfuração dos pneus: – Furar a borda dos pneus em três pontos equidistantes usando uma serra copo de 8 cm de diâmetro. Repetir a operação no outro lado dos dois pneus exatamente na mesma direção dos anteriores. O 3º pneu deverá ter de um lado, 3 furos equidistantes e no lado oposto somente um furo.


B4 – Montagem da lixeira: – Empilhar os pneus de forma que os furos coincidam-se e que o pneu em que somente um dos furos é vazado fique localizado na parte superior da pilha; – introduzir os bambus de 1 m através dos furos vazados dos pneus, até encostar na parte interna do pneu superior não vazado; – introduzir o bambu de 2,20 m através de todos os furos vazados dos pneus, atravessando por completo o pneu superior de forma que a parte de baixo fique na mesma altura dos outros dois bambus; – marcar os bambus pela parte interna do pneu superior onde está localizada a superfície inferior (será a borda inferior do furo a ser feito no bambu) e do pneu inferior onde está localizada a superfície superior (será a borda superior do furo a ser feito no bambu); – retirar todos os bambus e perfurar todos transversalmente usando uma serra copo de 3 cm de diâmetro, seguindo a orientação acima; – reintroduzir os bambus nos furos seguindo a mesma orientação feita para a marcação dos mesmos; – fixar os bambus nos pneus ao introduzir nos furos os bambus de 15 cm.


B5 – Identificação da lixeira de acordo com a classe do reciclável: – colar ao redor de cada pneu,  de cada lixeira,  fita autoadesiva na cor da classe a que pertence o reciclável, verde para vidro, vermelho para plástico, amarelo para metal e azul para papel, de forma que a extremidade de cada fita se sobreponha a outra extremidade. Passar duas fitas por pneu.


B6 – Instalação do fundo e tampa da lixeira: – fixar um compensado de 60 a 70 cm de diâmetro  com três parafusos na parte inferior da lixeira, constituindo  assim o fundo da lixeira; – fixar com o uso de dois parafusos  um compensado de 60 a 70 cm de diâmetro a uma das bordas de um dos círculos de borracha obtidos da perfuração dos pneus. Fixar com o uso de dois parafusos a outra borda da borracha no pneu superior de forma a constituir uma tampa, cujo circulo de borracha atuará como dobradiça.


B7 – Montagem da “bandeira”: – furar transversalmente os dois bambus de 70 cm de comprimento usando uma serra copo de 2 cm de diâmetro a uma distância de 10 cm de uma das extremidades e repetir a operação no lado oposto a 5 cm da extremidade; – introduzir nos furos os bambus de 60 cm de comprimento de forma que avance 5 cm, formando assim uma espécie de moldura em forma de retângulo; – fixar o bambu de 60 cm ao de 70 cm por meio de um pedaço de bambu fino de 1 cm de diâmetro e 10 cm de comprimento, introduzido em furos previamente feitos em ambos os bambus.


B8 – Fixação  da “bandeira” à haste principal de 2,20 m: – furar a haste principal a 5 cm da extremidade superior com uma serra copo de 4 cm de diâmetro na direção do pneu já fixado a haste. Furo onde será introduzido o bambu superior de 70 cm, da bandeira, até avançar 5 cm de sua extremidade de 10 cm; – fazer outro furo na haste principal de forma a introduzir o bambu inferior de 70 cm, da bandeira, até avançar 5 cm de sua extremidade de 10 cm; – fixar a bandeira a haste principal introduzindo um pedaço de bambu de 1 cm de diâmetro e 10 cm de comprimento em furo feito no encontro da haste principal com o bambu de 70 cm.


Observação: para uma melhor estabilização da lixeira ao solo, aconselha-se substituir os protetores de pet dos pés por um outro pneu com três furos em apenas um dos lados, onde serão introduzidos os pés. Podendo ser preenchido com areia.


Por Emerson Rocha (Fiocruz Mata Atlântica)

Fonte: Agência Fiocruz de Notícias e EcoDebate